O telefone tocou. Não era quem antes eu esperava. E agora aquilo já não era dor, virou costume. Eu olhava o celular e as coisas não doíam tanto. É estranho querer demais uma pessoa e ser capaz de tudo por ela. É estranho e doentio. Isso não é amor. Eu queria que ambos não tivessem um passado ou ao menos uma existência conjunta que um dia eu me deixei fazer parte. E me deixei entrar sem me dar conta do sofrimento que ali fazia morada. Eu me perguntava todo santo dia, será que eu amadureci com os anos ou com os danos? E esse obvio sofrimento se fez pelo fato de querer que ele fosse exatamente como eu exigia. Exigir de quem? E eu... Ah, como eu eu desejava ter sempre mais a oferecer, eu queria ser tudo, e sendo, eu me perdia. E perdia a identidade. Você passa uma vida acreditando que a vida é um roteiro: E um dia eu vou conhecer alguém, e esse alguém vai ser tudo que eu sempre idealizei. E aí eu vou casar, vou ter filhos, e a vida vai ser linda e eu finalmente serei feliz. Mas a pergunta é: Quando é o finalmente? e porque? A vida até podia ter um roteiro de novela perfeito e escrito pra cada um de nós. A gente espera pelo final feliz, a gente espera pela pessoa perfeita sem se dar conta de que é ali que mora o vazio. A gente espera por alguém real, alguém que nos transforme no melhor, do melhor. E se foi verdade as coisas vividas, ninguém nunca saberá. O que a gente sabe é o que tá aqui, na nossa cara, escancarado, porém quando a gente finge não ver, a vida joga da forma mais cruel possível. Nem tudo foi perda, embora eu tenha me perdido. A gente não pode simplesmente cansar de seguir o coração porque ele foi partido. Eu acredito que há alguém nesse mundão pra cada pessoa. Alguém disposto a aceitar o que o outro viu como defeito. Mas acima de tudo, é importante que saibamos nosso valor pra enfim nos reencontrar. (AL)
