
Hoje é 15 de março. É fim de tarde, faz frio lá fora e aqui dentro, como de costume, estou acompanhada pelo meu livro e meu café. Sigo pensando em cada acerto e cada erro que cometi e por onde todos eles me levaram. Desde pequena eu sempre tive mania de perseguição, sabe, achava que tudo era pessoal, era comigo, e por mais que eu fizesse pelos outros, nunca teria o reconhecimento que merecia. Que bobagem. A luta é pessoal. A vida é pessoal porque no fim é você por você mesmo recolhendo os cacos. Por isso hoje eu me analisei, e optei por brindar a tudo que deu errado pra mim. Cada vez que eu chorei sozinha. Cada vez que eu me senti e me vi sem direção. Por cada vez que eu quis gritar e sumir. Por cada vez que eu me esforcei por alguém e não fui reconhecida. Um brinde a cada escolha que eu fiz, e achei errada, mas que me levou pra um caminho que eu jamais teria ido por acerto. E sabe porque a vida fica mais leve quando a gente brinda os erros? porque eles passam. Eles passam e nos transformam no melhor de nós. Um dia, conversando com uma amiga, ela me disse "Você se tornou fria depois que certas coisas te aconteceram". Aquela frase mexeu comigo, na hora eu fiquei incrédula. Eu? a pisciana mais sentimental e chorona desse mundo, fria? Então eu pensei que frieza é não sentir. E eu sinto. Como sinto. Sinto amor. Sinto saudade. Sinto tesão. Sinto felicidade. Mas sinto o que vale ser sentido. Frieza é falta de consideração. E mesmo quando tá tudo fodido, eu tô ali. Frieza é indiferença. E eu transbordo. Como pode alguém me achar fria? Porém, depois, essa mesma pessoa que me disse sobre frieza, me disse que sentia orgulho pela pessoa que eu me tornei. E aí então, eu entendi a mais bela e louca lição desse universo: A frieza vem quando a gente se reconhece acima de tudo. Se permitir sair de cena quando acha que ali já não se cabe mais. Eu me permito dizer. Se isso é frieza, que me desculpem os animados e totalmente otimistas, mas sou. A frieza é uma forma de dizer que muita coisa deu errado e hoje você é uma pessoa diferente. Eu me vejo brindando por cada tombo, porque foram eles que me ajudaram a levantar e ir em busca de um lugar mais seguro. Ainda ando digerindo a ideia da frieza, mas hoje, mais que nunca eu me entendo. E me respeito. Eu entendo sobre dores. Eu brindo pelo errado. Eu brindo aos desencontros. Aos tantos anos que pensei terem sido em vão, e que agora me fizeram enxergar que nada é em vão quando te faz crescer. Eu entendo sobre partidas, chegadas. E aos deleites das permanências. E são nelas que eu insisto. A frieza é uma forma simples e clara de dizer: um brinde aos dias de conflito. Um brinde as noites em que não dormi, pois foram elas que me fizeram entender sobre o fim do mundo e o dia seguinte limpo e claro. A sensatez chega. A claridade vem. O coração e seu dom maravilhoso da flexibilidade. Respira. Tudo flui e volta calmaria. (Ana Lima)
3 comentários:
Maravilhoso ❤️
Nossa que profundo!!!Isso se chama maturidade...já pode escrever um livro...amei ❤😘
Ameeei❤
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